quarta-feira, maio 16, 2012

soma



 
Por ti, 

não tenho sujeito

nem propósitos francês

carrego!

tolos defeitos

vos imagino, inglês.

Sim! favores eleitos

deste velho e bom português

se, por razões óbvias,

houve dispêndios comensais

parto contudo

cujo principio, cativo, terás mudo...

ou lerás burguês!

Sê único, amor, guardeis

a roda, a dita, a Carmem, a ferida

o destino, atalhador

n’algum lugar, onde avistei

mesmo ao longe... nem mesmo eu sei

em qual moeda, regi a vida

se, a única dor, salguei.


soma
            erhi Araújo

domingo, maio 13, 2012

Domingo




                                                                  

                                                                       Sem dia

Sem tempo...

Sem lugar, sem pousar, sem argumentos.

Sem data, sem placa, sem hora

Sem lembrar, sem contratempo, fingimentos ou demora

Sem duvidar, sem ventos...

Se, o melhor  deste encontro é agora!



Domingo
                                            erhi Araújo

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Os Santos dos Sertões Femininos



O canto dos sertões, meninos
Vazam águas sonoras
Brotam vivas a toda hora
Arriscam, aterram e decalcam seu destino

No encanto dos sertões, ouvimos
O molho das pedras
Num tom irradiante, sem tréguas
Faz veredas no que sentimos

O pranto dos sertões, intestinos
Podes ser tu, não temo eu
História, em lágrimas místicas se converteu
Por vezes, por segundas... resistimos

Os santos dos sertões femininos
É sede, é fome, é seca... é a água que servimos!


Os Santos dos Sertões Femininos
erhi Araújo

terça-feira, julho 12, 2011

Ditados


Em todas as cores a cor...
num vermelho valente,
 diário, entre teus versos contentes
elegias de amor!

Diante do quarto
em claro gosto, da bicicleta
nua imanifesta, a saudade partiu...
deitou horas completas.

Quais seus filhos, ela conquista
Silencio... dou graças por
má vontade de porta trancada
sem saídas para o corredor!

Nuvens embaladas pra consumo
e mais que pareça, lhes resumo.

Ditados
                 erhi Araújo

quarta-feira, abril 20, 2011

P o r t a i s


Um dia Santo

nos traz à consciência

se nos oferece em troca

do que queremos ser

e o que queremos desse mesmo ser!

o dia é santo

se me cobres com o manto

nos aclamando em palmas

vezes palmatória

de ti queremos ver

o sol que nos aquece o pranto

o chão que plantamos os pés

a água...

e o sal de quem batiza os rés.


                                                            Portais
                                                                             erhi Araújo

segunda-feira, março 14, 2011

Forma mentis



Malfeito o mal, durmo só
imperfeito, está escuro!
mal falo mal, me calo
ao sol te sinto o cheiro
quando eu não chego...
se mau-olhado o formigueiro
um homem mau
Diz-se baleiro
não há mais nada a vê!
pensando o bem, que maus, desejo
 
paris, cachaça de raiz, Paris...
duras penas e um peso
por que males, velejo!
a tragédia, a moléstia, a desgraça nociva funesta
do mau, pálidos
 soldados, os mal pagos, os vendados
se febris, os papéis entre vales
os confrades e os carnavais...
guarda cinzas, busca-pé
fumo-de-corda, rapé
livros, risos, bicos, vidros
mágicos, cálidos, válidos
e Anéis...
mal cobre o mal, há tramas
bem tortas, o reclame, as encostas
a mesa, a poltrona
um paletó veste as costas...
quis o poeta!
sua paisagem sonora
a um passo, à porta.



Forma mentis
                                    erhi  Araújo

terça-feira, março 08, 2011

Os sinais e a chuva




Quem me veste à fome?


Quem quis ou quem pedras consome


Mandacarus...


Vi quem me deste o nome!


Diz quem se reveste insone


Dos fabulosos viscondes,


Dos bálsamos


Dos dois náufragos


 Que trazes aos monges...


Se em teus ventos me rompes


Do côro aos montes


Não ouves ninguém!


Feres a fonte


O sono das virgens,


Os sonhos dos bárbaros...


A tosse, o trote, a dose, o pigarro


O tabaco, o costume, o curtume, o esbarro


Sem suspeitos, sem estragos


Quem me impede a fome?


Os sinais e a chuva
                           erhi  Araújo

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Flor de sal


Teu céu...teu mar
tua boca, meus despachos
teu corpo, meu lugar
Meus olhos, teu quintal
tuas runas, tuas dunas
teu sol, teu sal
Tua ponte, meu rio
teus barcos, meu porto...
areias úmidas, os baixios
Tuas luas, meus farrachos
teus pés, um paço matinal
teu bálsamo, teus cachos
Teu trem, meus vinténs...
meu facho nagô, um repasto comunhal
acende toda a noite um sinal, sê ninguém
Seja a flor, seja o sal!

Flor de sal
           erhi Araújo

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Máscara



una face, outras fáceis

abrindo porta, linhas e rios

rente, abaixo do horizonte...

sedam, secam, selam

rezam!

louvam a Deus, esperanças,

pendem às pontes, calçadas, cidades...

às lanças

máscara pinçada,

alguém te pintou!



Máscara
           erhi Araújo

terça-feira, janeiro 25, 2011

Aguada



água de beber

a razão, o devaneio... a purificação!

água fresca

água dos meus sonhos... perfumados

claras águas

pedras sem limo, encostas, arrimos

amores irmãos!

linho engomado, quengo soado...

 numa gota d'água

seu chão

 

Aguada

              erhi Araújo